Gláuks - Revista de Letras e Artes https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks <p>A <em>Gláuks - Revista de Letras e Artes</em> (ISSN 2318-7131) é uma publicação quadrimestral do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Publica artigos inéditos em português, francês, inglês e espanhol, além de resenhas, ensaios, entrevistas e traduções.</p> <p>A Gláuks está aberta à comunidade acadêmica, preferencialmente a alunos/alunas e professores/professoras de programas de pós-graduação no país e no exterior. Destina-se à publicação de trabalhos que possam contribuir para a formação e o desenvolvimento científico, além da atualização do conhecimento nas áreas específicas de Linguística, Literatura e Artes. </p> <p>Indexadores:</p> <p>Latindex, DOAJ, PKP, Google Acadêmico, WebQualis, WorldCat, EZB</p> <p> </p> pt-BR glauks@ufv.br (Marciana Ap. Hilario Pena Gonçalves) glauks@ufv.br (Marciana Ap. Hilario Pena Gonçalves) Mon, 26 Jan 2026 10:32:06 -0300 OJS 3.3.0.13 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Nem vata, nem antivata https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/550 <p class="western" align="justify">Este trabalho busca complexificar o que se entende por “poesia da recusa” (Campos, 2006) a partir de um necessário recorte de gênero e de tempo, detendo-se em formas da recusa promovidas por poetas contemporâneas. Atuando com a consideração de um referencial conceitual extraído de Tamara Kamenszain, que popularizou a oposição simbólica entre “vates” e “antivates”, e de Augusto de Campos, o “poetamenos”, nosso maior interesse recai finalmente sobre a carioca Lygia de Azeredo Campos. O seu primeiro e único livro, publicado postumamente, fomenta a discussão sobre as maneiras com que as vozes da despretensão e da brevidade adequam uma atitude crítica desestabilizadora. Esta pode contrapor-se tanto a uma poesia masculina confortável em sua hegemonia, quanto a poetas homens que, embora avessos ao encastelamento estético e machista destas confrarias, não escapam às contradições (como a condescendência diante das chaves “menores” da recusa) ao mesmo tempo ecoadas e disfarçadas pelo seu lugar de poder.</p> Gabriel Costa Resende Pinto Bastos dos Santos Copyright (c) 2026 Gláuks - Revista de Letras e Artes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/550 Mon, 26 Jan 2026 00:00:00 -0300 Nuances do corpo afetivo feminino, em Águas da Cabaça, de Elizandra Souza. https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/551 <p>Este artigo propõe uma análise da obra <em>Águas da Cabaça</em> (2012), da escritora Elizandra Souza, a partir do conceito de escrevivência, proposto por Conceição Evaristo, evidenciando as nuances do corpo afetivo feminino negro. A escrita de Elizandra emerge da literatura marginal/periférica, mas se inscreve também na tradição da literatura negra feminina, incorporando elementos de memória, ancestralidade e denúncia da violência contra a mulher. A análise parte da compreensão do corpo como espaço de resistência, afetividade e subjetividade, especialmente no contexto de mulheres negras e periféricas. Poemas como “Em legítima defesa”, “Tecendo memórias” e “Abelha Mandaçaia” revelam uma poética marcada por traumas, afetos, solidão, pertencimento e identidade. A autora constrói uma lírica que mescla crítica social e delicadeza estética, dialogando com referências culturais afro-brasileiras, com destaque para a oralidade e o ritmo do rap. Assim, <em>Águas da Cabaça</em> se apresenta como uma obra de potência política e sensível, que contribui para o fortalecimento da voz feminina negra na literatura contemporânea.</p> <p>Palavras-chave: Elizandra Souza; escrevivência; corpo feminino negro; literatura marginal; ancestralidade.</p> Aline Deyques Viera Copyright (c) 2026 Gláuks - Revista de Letras e Artes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/551 Mon, 26 Jan 2026 00:00:00 -0300 Uma Poética irônica feminista à volta dos anos 1970 https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/558 <p>Este artigo analisa o uso do humor e da ironia em poemas de autoria feminina, com foco na obra de Leila Míccolis e referências a Alice Ruiz e Ledusha, no contexto da chamada "geração marginal", durante a década de 1970 e início dos anos 1980. Em um período marcado pela ditadura militar e pela efervescência dos movimentos feministas no Brasil, essas poetas mobilizam estratégias discursivas tradicionalmente associadas ao humor — como a sátira e a ironia — para denunciar a condição de opressão da mulher e subverter normas de gênero. A investigação busca evidenciar como tais recursos, historicamente interditados às mulheres, são reapropriados como formas de resistência estética e política.</p> Victoria Zanetti Largura Copyright (c) 2026 Gláuks - Revista de Letras e Artes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/558 Mon, 26 Jan 2026 00:00:00 -0300 A condição da mulher no casamento: uma leitura de "Os lugares comuns" e "Enredo para um tema", de Adélia Prado https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/559 <p>Em nossa cultura, embora frequentemente representada de forma romantizada, a condição da mulher no casamento foi por séculos de silenciamento e submissão ao homem. É para essa realidade então, fugindo de uma lógica hegemônica, que Adélia Prado volta sua escrita nos poemas <em>Os lugares comuns </em>e <em>Enredo para um tema</em>, escolhidos para serem analisados no presente trabalho por possibilitarem uma reflexão sobre um passado de apagamento da figura feminina, que, apesar de parecer distante, ainda não está totalmente superado e, mesmo hoje, por vezes apresenta seus reflexos nas relações matrimoniais, manifestando-se, em maior ou menor grau, nas diferentes circunstâncias em que se efetivam e fazendo com que a simetria nas relações conjugais continue a não ter espaço para se concretizar em muitos lares.</p> Bianca Pandeló Copyright (c) 2026 Gláuks - Revista de Letras e Artes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/559 Mon, 26 Jan 2026 00:00:00 -0300 Tanatografia da mãe, de Isadora Fóes Krieger https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/547 <p>O artigo analisa a obra <em>Tanatografia da mãe</em> (2022), de Isadora Fóes Krieger, a partir de uma abordagem poético-formal e estilística da representação do luto. A estrutura da obra, concebida como um poema-carta, conjuga lirismo e confissão íntima e desafia fronteiras formais entre gêneros. A escrita se constrói como gesto de despedida da voz poemática que, no entanto, não se consuma, evidenciando a dor prolongada e a impossibilidade de delimitar o luto através de um encerramento simbólico. A metaforicidade, seminal na composição poética, ora figura a fusão entre o eu lírico e a mãe, ora inscreve o vazio e a ausência no <em>pathos</em> da linguagem. As imagens memoriais, a fragmentação sintática e a disposição gráfico-visual indiciam a oscilação afetiva do sujeito lírico, configurando um espaço poético-discursivo de reelaboração subjetiva. Assim, a palavra poética resiste ao esquecimento, configurando a escrita como forma de permanência em face da perda e da lutuosidade.</p> Sandro Adriano da Silva, Lorena Yasmim Rogaleski Copyright (c) 2026 Gláuks - Revista de Letras e Artes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/547 Mon, 26 Jan 2026 00:00:00 -0300 O ensaio de voz autoral feminia, na crítica literária de Lúcia Miguel Pereira (1931 – 1943) https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/556 <p>Para falar da importância dos estudos críticos em literatura, principalmente, o ensaio, apoiamo-nos em Durão (2016), ao fazermos um recorte da obra de Lúcia Miguel Pereira (1992), <em>A leitora e seus personagens</em>, especialmente, o capítulo II –<em> Crítica Literária,</em> em três ensaios em que a autora faz a abordagem sobre os conceitos de alguns autores sobre a produção romanesca do início do século XX. Analisamos, também, como a voz autoral de Pereira se manifesta, diante dos preceitos do patriarcado, tendo como escopo os estudos de Telles (2018) e de Perrot (2019), a fim de ressaltarmos a relevância de sua escrita, como precursora no universo literário da crítica.</p> Cleusa Piovesan Copyright (c) 2026 Gláuks - Revista de Letras e Artes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/556 Mon, 26 Jan 2026 00:00:00 -0300 Páginas pré-textuais https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/586 Copyright (c) 2026 Gláuks - Revista de Letras e Artes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/586 Mon, 26 Jan 2026 00:00:00 -0300 Apresentação https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/575 <p>Apresentação do Dossiê Reflexões sobre a condição feminina na poesia e na crítica brasileira escrita por mulheres.</p> Agnes Rissardo, Juliana Diniz Fonseca Corvino Copyright (c) 2026 Gláuks - Revista de Letras e Artes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/575 Mon, 26 Jan 2026 00:00:00 -0300 As Poetas da geração de 45 https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/557 <p>Entrevista</p> Juliana Diniz Fonseca Corvino Copyright (c) 2026 Gláuks - Revista de Letras e Artes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/557 Mon, 26 Jan 2026 00:00:00 -0300 Gramaagramaagrama: Reivindicar a voz e reconstruir a história em Whereas, de Layli Long Soldier https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/553 <p style="font-weight: 400;">Este artigo analisa&nbsp;<em>Whereas</em>&nbsp;(2017), da poeta Oglala Lakota Layli Long Soldier, como uma resposta poética ao pedido oficial de desculpas do governo dos Estados Unidos aos povos originários. Por meio de formas experimentais, quebras visuais e estratégias metalinguísticas, Long Soldier critica a linguagem da Apology e reivindica agência linguística e histórica. O motivo recorrente das gramas conecta metaforicamente terra, memória e sobrevivência cultural, enquanto o poema “38” traz à tona o trauma da maior execução em massa da história dos EUA, expondo o silenciamento sistêmico das experiências indígenas. Com base em teorias feministas indígenas e negras, no pós-colonialismo e no conceito de&nbsp;<em>escrevivência</em>, o artigo argumenta que&nbsp;<em>Whereas</em>&nbsp;redefine a prática poética como intervenção política. Dialogando intertextualmente com autoras como Conceição Evaristo, Márcia Wayna Kambeba e Gloria Anzaldúa, Long Soldier insere sua obra em uma tradição feminista transnacional que centraliza vozes marginalizadas e resiste ao apagamento histórico. O estudo enfatiza como poetas indígenas utilizam a poesia para recuperar a voz, reescrever a história e desafiar estruturas de poder colonial, transformando a linguagem em um espaço de sobrevivência e resistência.</p> Ane Caroline Ribeiro Costa Copyright (c) 2026 Gláuks - Revista de Letras e Artes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/553 Mon, 26 Jan 2026 00:00:00 -0300 A poesia como forma de desafiar as amarras da colonialidade https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/560 <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo propõe uma análise comparativa entre as obras das poetisas Gloria Anzaldúa e Safia Elhillo, buscando compreender como a poesia se torna uma ferramenta para desafiar a colonialidade e as amarras impostas às mulheres migrantes do Sul no Norte Global. O problema da pesquisa consiste em identificar os pontos de convergência entre as duas autoras nesse desafio à identidade. A estratégia analítica do trabalho baseia-se em uma análise comparativa das bibliografias produzidas pelas autoras, utilizando como referencial teórico as “teorias viajantes” de Edward Said para contextualizar suas produções e as concepções de identidade cultural de Stuart Hall, além do conceito de “artivismo”. Tal abordagem permite explorar como as ideias e experiências de Anzaldúa e Elhillo, mesmo em contextos distintos, se entrelaçam e se ressignificam. Como resultados parciais, propõe-se que as obras de Gloria Anzaldúa e Safia Elhillo, apesar das diferenças temporais e culturais, convergem ao transformar a dor do deslocamento e da colisão cultural em um potente espaço de reinvenção e insurgência. Ambas utilizam a linguagem poética como meio de denúncia e de construção de novas subjetividades e territórios de existência, desafiando as lógicas coloniais e patriarcais que buscam definir, limitar e silenciar seus corpos e suas narrativas.</span></p> Ellen Gomes Passos, Victoria Louise Quito, Rafaela Machado Copyright (c) 2026 Gláuks - Revista de Letras e Artes http://creativecommons.org/licenses/by/4.0 https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/article/view/560 Mon, 26 Jan 2026 00:00:00 -0300